domingo, 18 de janeiro de 2009

Eu caminhava pela noite vazia e ouvia o canto dos bêbados, em algum lugar. Pouco a pouco ia me descobrindo só, afogada na solidão ensurdecedora. Sem movimento ou barulho. Sem nada. Só. Só com a solidão e a balbucia de alguns pensamentos. Mas os pensamentos não atingiam o limite de mínimo e não ocupavam totalmente minha mente, então o medo tomou conta e meus passos tornaram-se apressados e meu corpo ficou gelado. Por um momento tudo parecia estar no tempo certo, o problema é que eu não tinha destino e não conseguia me dar conta disso.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ele dizia, com aqueles olhos fundos que eu não suportava olhar:
-Venda seus sapatos! VENDA SEUS SAPATOS!
Mas tudo o que meus ouvidos digeriam era:
-Venda sua face! VENDA SUA ALMA!
Meus sapatos valiam mais que a minha alma. Minha face era lama, não havia resquícios do rosto branquinho que havia me pertencido.
Eu não era nada, não conseguia vender nada. A minha alma nem era minha, como podia vendê-la?
Não, meus sapatos não. Não...