"O dia chegou sem nevoeiro. As noites eram noites e nada mais. Os dias não mudavam de um para outro, o sol dourado batendo forte e depois morrendo." Fante

Ela viu o dia cinza quando abriu a janela, às 7h da manhã. Não havia vento, barulho de ônibus e gritos de crianças indo para a escola. O céu disse que a calma seria assassinada, mas mandava o aviso. Disse para a menina não sair sem casaco, que o café deveria ser substituído pelo vinho, porque andando trôpega ela conseguiria passar pelo mês que seria embriagado.
Do lado de fora, algumas gotas de chuva. O temporal havia deixado um tapete de folhas secas mas molhadas. E soube que a estação estava bem longe de terminar e que, por mais insuportável que pudesse ser, continuaria engolindo o pássaro que insistia em cantar. No silêncio da manhã ela lembrou que já não era mais maio e que as palavras não se disporiam em papéis, páginas virtuais ou guardanapos.
Maio terminou enforcado. E enforcado ele tirava a respiração da menina. A respiração anulada abafava as palavras, que voltavam a repousar no fundo do peito, naquele lugar úmido, quente, um acúmulo de sentimentos. Calada era melhor. Calada ela ouvia os passos da loucura chegando, a loucura que há um mês e meio havia desistido de ficar próxima. Calada ela ouvia o murmúrio dos pensamentos, que não mais se organizavam em frases pontuadas, mas se misturavam e tentavam continuar com o caos.
Maio terminou enforcado. E enforcado, nos últimos minutos, ele não deixou que junho nascesse. Fez com que fosse continuação desse outono hipócrita, dessas chuvas densas e cobertas de relâmpagos que morriam com a mesma facilidade que a tentativa. Nos primeiros minutos, a cama que estava vazia ficou quente, a insônia sentada conversava com a loucura. As duas ignorando a garota. Ignorada ela se sentia ainda mais tonta dos infernos, infernos que gelavam, infernos febris que destruíam e nunca construíam.
Maio terminou enforcado e enforcou junho antes mesmo que ele pudesse nascer. E junho, nos primeiros minutos, parecia agosto por estar enforcado. E se parecia agosto, o ano teria dois meses iguais, duas loucuras sedentas, tantas insônias quanto fosse possível socar no quarto frio, o desespero ancorado e que nunca se afogava, mesmo quando a angústia transbordava no quarto.
Maio terminou com quatro livros do Abreu e junho começou com os mesmos quatro. Os contos relidos e, estes sim, afogados na tristeza. Mas afogados eles apenas ficavam mais fortes, mais presentes na mente, mais pesados. E ela afundada na cama, os olhos vendo a madrugada passar, a primeira luz entrar pelo quarto, o celular que pelo menos não tocava porque estava desligado.
Maio terminou enforcado. E enforcado ele tirava a respiração da menina. A respiração anulada abafava as palavras, que voltavam a repousar no fundo do peito, naquele lugar úmido, quente, um acúmulo de sentimentos. Calada era melhor. Calada ela ouvia os passos da loucura chegando, a loucura que há um mês e meio havia desistido de ficar próxima. Calada ela ouvia o murmúrio dos pensamentos, que não mais se organizavam em frases pontuadas, mas se misturavam e tentavam continuar com o caos.
Maio terminou enforcado. E enforcado, nos últimos minutos, ele não deixou que junho nascesse. Fez com que fosse continuação desse outono hipócrita, dessas chuvas densas e cobertas de relâmpagos que morriam com a mesma facilidade que a tentativa. Nos primeiros minutos, a cama que estava vazia ficou quente, a insônia sentada conversava com a loucura. As duas ignorando a garota. Ignorada ela se sentia ainda mais tonta dos infernos, infernos que gelavam, infernos febris que destruíam e nunca construíam.
Maio terminou enforcado e enforcou junho antes mesmo que ele pudesse nascer. E junho, nos primeiros minutos, parecia agosto por estar enforcado. E se parecia agosto, o ano teria dois meses iguais, duas loucuras sedentas, tantas insônias quanto fosse possível socar no quarto frio, o desespero ancorado e que nunca se afogava, mesmo quando a angústia transbordava no quarto.
Maio terminou com quatro livros do Abreu e junho começou com os mesmos quatro. Os contos relidos e, estes sim, afogados na tristeza. Mas afogados eles apenas ficavam mais fortes, mais presentes na mente, mais pesados. E ela afundada na cama, os olhos vendo a madrugada passar, a primeira luz entrar pelo quarto, o celular que pelo menos não tocava porque estava desligado.
Parada na janela, naquela manhã, quis escrever a falta de sentido, enquanto via o dia vazio, silenciado e com a morbidade de junho. Mas notou que os dedos estavam rígidos e o corpo estava tão indisposto quanto tudo o que havia colecionado e que agora se transformava na própria identidade.